Usando a raiva como combustível
A raiva é uma reação natural diante de uma injustiça. Ela vai nos acompanhar por toda a vida. O importante é saber usá-la para nos levar a um lugar melhor.
Aprendi uma lição curiosa recentemente:
Se você prestar atenção, a raiva costuma apontar para duas coisas:
uma oportunidade que você não enxergou ou uma mudança que você está adiando.
Esse último conversa muito bem com o restante do seu texto, porque depois você mostra exatamente os dois casos: a oportunidade de vender a consultoria e a necessidade de mudar situações que geram irritação recorrente. Ele cria uma expectativa que o leitor vê sendo cumprida ao longo da leitura.
Esse assunto me chamou a atenção após uma situação de trabalho. Tive um momento de raiva, explodi e fiquei remoendo o assunto por dias. Só depois percebi que poderia ter agido melhor e talvez até ter me beneficiado da situação.
Um cliente me procurou pedindo um favor: uma consultoria gratuita sobre um serviço que ele havia contratado de um concorrente.
Fiquei irritado com o pedido e respondi que, obviamente, não faria aquilo como favor. Disse que meu interesse seria prestar o serviço profissionalmente e que, se ele já havia contratado outra empresa, eu não entendia por que estava me procurando.
Depois de alguns dias digerindo aquele gosto amargo, tive um insight: por que não vender essa consultoria?
Se ele aceitasse pagar pelo serviço, seria mais dinheiro no bolso. Se não aceitasse, eu teria uma saída muito mais elegante.
A lição foi clara: agir no calor do momento, como um vulcão em erupção, costuma ser um péssimo negócio.
Às vezes, poucos segundos — o famoso “contar até dez” — acompanhados da pergunta “como posso me beneficiar disso?” podem fazer mágica. Agir é muito diferente de reagir. No meu caso, eu simplesmente reagi no mesmo instante, sem refletir sobre as consequências.
Outra reflexão que surgiu desse episódio foi a seguinte: algo ruim que se repete constantemente e sempre nos deixa zangados pode ser um ótimo sinal. Talvez seja um indicativo de que precisamos sair daquele lugar, parar de nos relacionar com determinadas pessoas ou clientes, ou simplesmente fazer algo diferente para alcançar resultados diferentes. Nesses casos, a raiva funciona como um estímulo à ação.
Os mecanismos que operam em nosso cérebro há milhões de anos entram em funcionamento nesses momentos como ferramentas de sobrevivência. É o famoso sistema de luta ou fuga: pupilas dilatadas, coração acelerado, respiração intensa. Nosso corpo nos prepara para agir.
Mas vale lembrar um antigo slogan de uma propaganda de pneus:
“Potência não é nada sem controle.”
Já vi muitas pessoas tratarem esse tema sob uma ótica mais refinada, como a busca pelas virtudes — por exemplo, cultivar a mansidão em vez da ira. E isso não está tão distante da proposta deste texto.
Contar até dez não serve apenas para evitar dizer algo de que possamos nos arrepender depois. Também é uma forma de dosar melhor nossas reações, tornando-as mais conscientes, mais virtuosas e, muitas vezes, mais eficazes.
A raiva continuará existindo. A questão é decidir se ela vai nos controlar ou nos impulsionar.
A raiva já lhe custou dinheiro, um relacionamento ou uma oportunidade?
Ou ela foi justamente o empurrão que faltava para mudar algo importante?
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